Oxidoc: Pelas ruas, pelas telinhas

Cristiane Dias é pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb) da Unicamp. Para ela, a linguagem, a cidade e a tecnologia formam um casamento perfeito. E atualmente ela coordena um projeto que nasce justamente desse casamento. Trata-se de um aplicativo em que as pessoas poderão falar da relação delas com as cidades, contando memórias e vivências de certos lugares.

“O sujeito vive, anda, caminha pela cidade, mas dificilmente ele para pra olhar pra um lugar e lembrar como aquele lugar significa na vida dele, que memória aquele lugar tem pra ele. A gente quer que o aplicativo sirva para as pessoas olharem pro espaço onde elas estão e pensem: ‘como é importante eu estar aqui’. Ou ‘como esse lugar foi importante pra mim’.”

Ela diz que não vê a hora do aplicativo ficar pronto para que ela possa contar de suas experiências em Campinas, cidade onde ela vive hoje e com a qual ela já teve uma relação difícil.

Este Oxidoc também conta com a participação do jornalista Felipe Lavignatti, um dos criadores do projeto Mapas afetivos, que reúne diferentes relatos sobre a cidade de São Paulo. “Toda grande emoção que você vive está ligada a um lugar. A notícia de que você passou na faculdade, que você vai virar mãe, o lugar onde você foi pedido em namoro. Sempre tem um lugarzinho específico assim. E a gente queria contar as histórias a partir dos lugares.”

O Felipe conta que ouvir os relatos de outras pessoas muda a forma como ele vivencia São Paulo. Quando passa em frente ao Conjunto Nacional, por exemplo, ele olha para a rampa e se lembra de alguém que já andou por ali de mobilete e que guarda com afeto aquele canto da cidade.

O radiodocumentário faz parte do projeto Narrando ciências, linguagens e comunicações, que tem o objetivo de divulgar as pesquisas do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e do Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb). Os dois laboratórios fazem parte do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto é financiado pela FAPESP, por meio do programa Mídia Ciência.

Este episódio também está disponível em apps agregadores como iTunes, CastBox e PocketCast.

Produção, gravação e edição: Beatriz Guimarães.

2 comentários sobre “Oxidoc: Pelas ruas, pelas telinhas

  1. Incrível, escutando o radiodocumentário e vibrando pela relação que tenho com minha cidade, cuja significação não conseguia compreender tão bem como, a partir da escuta de vocês. A ideia do aplicativo é interessantíssima, para tratar da questão da memória, sejam as diferentes memórias que a cidade aciona nos sujeitos ou as memórias dos sujeitos como gatilho para falarem de si e tudo que está envolvido nisso, cá estou, por exemplo, nessa mistura boa de compreensão teórica da coisa e de estar sobre o efeito das minhas memórias com a minha cidade, porque um aplicativo como esse sobre o qual a Cris fala, permite da maneira mais gostosa, singular e plural, recortar e reunir memórias de sujeitos num dado espaço e a partir de dadas CPs, é voz à múltiplas vozes, saindo claro, da “História oficial”. Eu, em muitos momentos ando pela cidade seja de madrugada, durante do dia e faço vídeos curtos, seja de dentro do carro, às vezes desço em muitos lugares da cidade de Baliza – GO, que são muito afetivos para mim: o rio Araguaia no nascer ou pôr do sol, a praça, as casas históricas, lagos, o céu, enfim… e, geralmente tem música no plano de fundo. Costumo fazer esses vídeos para colocar nos stories das redes sociais, na maioria delas Whats e Instagran e é incrível a sensação boa que sinto e o envolvimento das pessoas com esses materiais, o que me faz pensar que talvez pudesse fazer sentido para um aplicativo dessa natureza que ele tivesse uma barra de status ou algo que se assemelhasse (ME LEMBREI DA EXPERIÊNCIA DO APLICATIVO DA ABRALIN, que acho que de forma distinta, tinha um stories ou espaço para comentarização, enfim…), pois a relação dos sujeitos com o Stories nessa relação, espaço, tecnologia, música e memória, é forte e é um forma de escrita na qual o sujeito imbrica diferentes materialidades da escrita de um forma muito tranquila. Enfim…há tanto para se pensar, dizer, compreender sobre isso que compartilho com vocês esses lampejos, sobretudo no sentido de me envolver e compreender melhor tudo que foi acionado aqui. Estou aqui apaixonada por esse podcast, pelo trabalho que você fez Beatriz e pelos relatos lindos e fortes da Cris. Obrigada!

    1. Que lindo seu comentário, Flávia. A intenção do podcast era justamente despertar essa emoção sobre a possibilidade de se criar uma rede de afetos em torno das cidades, da sua cidade, da cidade onde você mora, ou onde viveu, trazendo memórias, significados que podem ser diferentes para cada pessoa. Obrigada por sua intervenção e que bom saber que você também faz esses stories. Vamos mostrar seu comentário para a Cris.
      Abraço.

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