Os primeiros estudos sobre as bactérias e as observações de Leeuvenhoek.

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Por que bactérias são tão pequenas? E por quê não são menores ainda? Um grupo de pesquisadores americanos abordaram essa questão por meio de uma modelagem matemática que levava em consideração os componentes de uma célula bacteriana, como o DNA, proteínas, ribossomos e o espaço necessário entre eles.

Há 340 anos perguntas como essas não fariam sentido, pois nem sequer sabíamos da existência de bactérias. Sua descoberta é creditada a um dos pioneiros na observação microscópica, o holandês Antonie van Leeuwenhoek. Com uma versão aperfeiçoada de um instrumento desenvolvido poucas décadas antes, o microscópio óptico, Leeuwenhoek iniciou uma série de observações relacionadas à sensação de gosto.

Entre suas análises, o cientista acabou examinando a água em que mantinha pimenta mergulhada há várias semanas. Para o ouvinte curioso a respeito de por que isso foi feito: a ideia inicial era tão somente amolecer a amostra de pimenta para estudá-la e observar o que a tornava picante, porém Leeuwenhoek acabou por descobrir uma coisa completamente diferente.

Em abril de 1676, ele notou a presença de organismos incrivelmente pequenos na amostra de água- muito menores do que os protozoários que havia descoberto e descrito anteriormente. Em sua estimativa, 100 desses seres alinhados conforme seu comprimento um atrás do outro não se equiparariam ao comprimento de UM grão de areia grossa. O achado foi relatado em um trecho de pouco mais de 70 palavras, mas sem ilustrações.

Em outra carta sua, enviada sete anos depois para a Royal Society de Londres, Leeuwenhoek descreve os seres que viu em sedimentos retirados de seus dentes e misturados com água e saliva. A ilustração correspondente a essa observação não deixa dúvidas de que se trata de bactérias do tipo bacilo.

Com o advento do microscópio eletrônico na década de 1930, mais e mais espécies de bactérias foram sendo descobertas, com diferentes características metabólicas: as que necessitam ou não de oxigênio e as que produzem álcool ou ácido lático na fermentação; além de diferentes formas e tamanhos e ambientes em que se desenvolvem.

Christopher Kempes, do Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, e outros colaboradores estudaram a variação de tamanho das bactérias. E eles calcularam que, caso a menor bactéria tivesse o tamanho de uma mosca, a maior seria do tamanho de um elefante.

Considerando que uma bactéria precisa pelo menos reproduzir seu DNA e fazer as proteínas codificadas em seus genes, o menor espaço a ser ocupado por esses componentes mínimos corresponde ao tamanho das menores bactérias conhecidas. Por outro lado, quanto maior a bactéria, mais tempo leva para que se possa replicar os componentes durante a reprodução celular.

Por esse estudo, as famigeradas bactérias fósseis de Marte possivelmente NÃO são mesmo bactérias; pois são muito menores do que o limite inferior estimado para o tamanho de uma bactéria.

Por outro lado, células eucarióticas como as nossas; com um núcleo separado por uma membrana, são muito maiores do que o limite máximo calculado para o tamanho de uma bactéria. Mas o que permite ao nosso tipo de célula escapar esta restrição de tamanho de células bacterianas? Bom, isso nós não sabemos.

Muitas coisas ainda estão por ser conhecidas a respeito desses microsseres, mas tudo começou com uma inusitada conserva de pimenta e uma peculiar higiene dental de um dedicado holandês.

Matéria de Roberto Takata e locução de Paula Pereira.

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