O cientista Hicheur e a acusação de seu envolvimento com terrorismo

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Em janeiro deste ano o físico argelino Adlène Hicheur teve a vida virada de cabeça para baixo depois da publicação pela revista Época de uma reportagem cuja chamada de capa o classificava como terrorista. Depois a revista Época voltou à carga contra o físico em coluna que o chama de “companheiro da Al Qaeda”.

O mal estar foi potencializado após a declaração do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de que “Uma pessoa que teve aqueles e-mails que foram publicados e foi condenada por prática de terrorismo não nos interessa para ser professor no Brasil. Não temos nenhum interesse nesse tipo de pessoa”.

Essa foi a segunda vez em que a carreira de Hicheur foi atingida pela acusação de terrorismo. Ele foi preso, em 2009, e condenado a cinco anos de prisão, em 2012, na França, sob acusação de planejar atentados terroristas. Pouco tempo depois do julgamento, Hicheur foi liberado por bom comportamento. A condenação foi baseada na troca de mensagens entre Hicheur e um suposto terrorista em um fórum frequentado por jihadistas. Ele afirma ter feito contato por curiosidade.

Disposto a recomeçar sua carreira, em 2013, o físico aceitou convite para vir ao Brasil como pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF; onde trabalhou antes de se transferir para a UFRJ. Ele tem vínculo com a universidade até julho com contrato que não pretende renovar.

Colegas do físico alegaram não haver prova de que o pesquisador tivesse qualquer plano de ataque terrorista. O CBPF divulgou nota elogiando o trabalho de Hicheur, apontando que sua condenação foi controversa, mas que, de todo modo, sua pena já havia sido cumprida e que as autoridades brasileiras estavam plenamente cientes da situação quanto o visto de entrada e de trabalho foram emitidos.

Em entrevista ao site Opera Mundi, o argelino diz que nem a imprensa francesa havia mostrado tanta hostilidade contra ele. Diz o físico “estou sendo caçado pela mídia por um crime que não cometi”. O caso Hicheur ocorre no momento em que se discute a tramitação no Congresso de projeto de lei de caracterização de ações terroristas. O episódio está atrelado a casos de manifestações contra trabalhadores estrangeiros, protestos e ataques a imigrantes.

A PF e a Abin, que investigavam o físico por frequentar a mesma mesquita no bairro carioca da Tijuca onde um homem declarou apoio ao Estado Islâmico para uma reportagem da CNN, não encontraram nenhuma prova de atividade no país ligada ao terrorismo. Independentemente da condenação justa ou não de Adlène Hicheur, o físico parece ser vítima de um mau momento político e social no Brasil.

Matéria de Roberto Takata e locução de Cristiane Pinho.

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