Manual de Antigua traz padrão para as pesquisas de percepção pública de ciência e tecnologia

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Qual a percepção do público sobre a ciência e a tecnologia? Há pesquisas que se dedicam à essa questão. Elas são feitas desde os anos 70 nos Estados Unidos, desde os anos 80 no Reino Unido, e no Brasil, a primeira foi em 1987. Em um trabalho conjunto, países ibero-americanos criaram um padrão para fazer pesquisas nacionais de percepção e avançar nesses estudos. O desafio será manter uma frequência para que os dados possam ser usados junto com outros indicadores de ciência e tecnologia.

De tempos em tempos a gente ouve falar de pesquisas que medem a percepção da população sobre ciência e tecnologia. O pesquisador Carmelo Polino, da Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (RICYT) explica o que são esses estudos.

Polino– “Basicamente eles medem qual é a relação do público, da sociedade em geral ou de públicos específicos com a própria ciência e tecnologia, ou seja, medem as expectativas que as pessoas têm do desenvolvimento de ciência e tecnologia, questões vinculadas com os riscos do desenvolvimento científico tecnológico, esperanças aplicadas ao desenvolvimento da saúde ou também a questão da institucionalidade da ciência e tecnologia num país determinado. A ideia é ver os indicadores de percepção como um tipo de termômetro para avaliar o que a ciência tem relação a sua vida cotidiana e suas expectativas como cidadãos quanto à função da ciência e tecnologia da sociedade”.

Polino coordenou o trabalho da rede de pesquisadores que buscou estabelecer um padrão para as pesquisas de percepção para a América Latina e Ibero-América. O resultado foi publicado sob o título Manual de Antigua, feito pela RICYT em conjunto com o a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a educação, ciência e cultura, a OEI.

Polino “Foi um processo longo porque desde quando começamos a refletir sobre esse negócio passaram-se quase dez anos e ao mesmo tempo foi um processo complexo porque foi preciso atualizações, revisões da literatura, revisões da tradição de medição e ao mesmo tempo a própria realização dos estudos empíricos. A primeira característica desse indicador é a pertinência e a capacidade de captar o que acontece na realidade local. Mas uma segunda característica dos indicadores é que eles ao mesmo tempo têm que ser capazes de medir magnitudes em comparação com algo; e os países têm muito interesse em saber como a política científica que eles fazem tem a ver com relação aos outros contextos”.

O Manual de Antigua fornece as bases para os países realizarem suas enquetes locais. Ele indica o que medir e como interpretar os resultados. Essas referências já foram usadas para pesquisas nacionais, as mais recentes no Chile, Paraguai, El Salvador, Uruguai, Argentina e também no Brasil. Aqui, aliás, pesquisadores de diferentes instituições têm participado da elaboração do Manual de Antigua. Um dos integrantes dessa rede é o professor Carlos Vogt, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, o LABJOR, na Unicamp.

Vogt – “Houve esforços bastante grandes nesses últimos anos relativamente aos estudos de percepção pública, mas ainda falta bastante chão para essa história da padronização para fins da comparação internacional como o ocorre já há algum tempo com os indicadores de ciência e tecnologia. Entre outras coisas porque as pesquisas também não são realizadas com a periodicidade necessária para que você crie uma metodologia capaz da comparação e ao mesmo tempo da fixação de padrões nesse sentido. No Brasil tem uma ocorrência de publicações, mas não tem ainda uma periodicidade, o que poderia de fato contribuir no sentido desses objetivos de que a gente falou, que diz respeito aos indicadores de ciência e tecnologia e mesmo de percepção pública. As políticas públicas embora tenham formulações mais adequadas, em decorrência disso tudo, a prática, isto é, a aplicação dessas políticas públicas ainda carece de vontade política capaz de colocá-las efetivamente em funcionamento de maneira sistemática ”.

Se você quer conhecer o Manual de Antigua e saber mais sobre pesquisas de percepção acesse o site da RICYT.

Matéria de Patrícia Santos.

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