Freud explica. Mas e os tradutores? Facilitam ou complicam?

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De 20 a 23 de setembro, aconteceu na  Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, o 12 º Encontro Nacional e 6º Encontro Internacional de Tradutores. Na ocasião, as pesquisadoras Rozane Rebechi e Marlene Andreetto apresentaram um estudo que utilizou a linguística de corpus para analisar as traduções para o português da obra Luto e Melancolia, de Freud. A metodologia da Linguística de Corpus utiliza programas de computador específicos para a análise de textos. A vantagem é que é possível fazer a análise simultânea de um grande número de textos, gerando dados estatísticos sobre a frequência de usos das palavras. Isso permite se faça um estudo maior em menos tempo.

Luto e Melancolia teve, ao longo dos anos, cinco traduções para a nossa língua e as pesquisadoras queriam entender o porquê de tantas versões. No texto original de Freud, em alemão, era utilizada linguagem popular. A primeira tradução consagrada para o português, da década de 1970, utilizou as traduções para o inglês. As traduções em inglês, por sua vez, teriam utilizado termos em latim e grego para dar um ar de cientificidade ao texto. Por outro lado, as três traduções mais recentes para o português, das décadas de 1990 e 2000, se propuseram a traduzir diretamente do alemão para trazer termos do cotidiano que o texto original continha. Porém, a análise das autoras revelou que essas traduções não deixaram de ser influenciadas pela versão que veio do inglês. Um exemplo disso é que Freud utilizava a palavra EU e o inglês passou para EGO. O termo foi mantido em uma das traduções para o português que se propôs vir diretamente do alemão. Outros termos que não fazem parte do nosso linguajar cotidiano também estão nas traduções mais recentes.

O artigo “As retraduções de Trauer und Melancholie para o português: o léxico de Freud sob a perspectiva da Linguística de Corpus”, foi publicado em 2015 no número 26 da Revista Pandemonium Germanicum.

Matéria de Paulo Muzio

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