Estudo sobre cyberbulling identifica emoções associadas a vítimas e agressores

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O Cyberbulling, assim como o bulling,  significa a violência sistemática, mas acontece no meio digital, como nas redes sociais. Para compreender melhor quais são as emoções envolvidas entre as vítimas e agressores, pesquisadores da Universidade de Coimbra e de Lisboa têm estudado o tema. Uma parte desse trabalho foi publicada na última edição da revista “Educação e Pesquisa” (vol.42, n.1) da USP.

O estudo envolveu 3.525 adolescentes nos 6º, 8º e 11º níveis de escolaridade em Portugal. O artigo apresenta os resultados sobre as emoções dos participantes relacionando esse tipo de análise com dados sociodemográficos e os motivos dos agressores.

Emoções evidentes

A pesquisa identificou que as emoções mais frequentes entre as vítimas são tristeza, raiva, vontade de vingança, medo e humilhação, emoções consideradas negativas. Já entre os agressores são emoções positivas, como: satisfação, indiferença, alívio, diversão, prazer e sensação de ser mais forte, ou seja, sentimentos de quem controla a situação.

Segundo os pesquisadores, as diferenças significativas são indicadores de falta de empatia com o próximo, evidenciado pela sensação de indiferença do agressor e por serem menos frequentes emoções de sentido ético, como culpa ou arrependimento. O estudo também aponta a falta de empatia quando a maioria dos agressores ignora a tristeza das vítimas e imagina que elas se sentem culpadas pela violência vivida, havendo uma tendência desses agressores culparem as vítimas ao invés de reconhecerem seus atos.

Intervenções

A análise dos dados da pesquisa revela que há diferenças significativas de emoções entre escolas diferentes, como a sensação, por parte das vítimas, de impotência e falta de apoio de algumas instituições. Os pesquisadores ressaltam a importância do papel das escolas e sugerem a busca pelo desenvolvimento de uma educação emocional entre os jovens.

Uma das diferenças entre o ciberbullying e o bullying é que no ambiente digital o anonimato protege mais os agressores.  Eles são mais desligados das emoções das vítimas, sentindo-se menos culpados. Isso demonstra também ser necessário o desenvolvimento de cidadania digital, além de incentivo das escolas para que seus alunos participem ativamente de debates e políticas de prevenção.

O artigo da revista “Educação e Pesquisa” está disponível na Base SciELO e no Portal de Revistas da USP.

Matéria e locução de Kátia Kishi.

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