Cresce o uso de fertilizantes na América Latina

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O consumo de fertilizantes cresceu cerca de 27% na América Latina em 2012 quando comparado a 2006, sobretudo em países com menor área territorial. Esta é a conclusão de artigo publicado na revista científica Bioagro.

Os fertilizantes são produtos utilizados no solo para aumentar a produtividade das plantações. Diferentemente dos agrotóxicos, os fertilizantes são considerados – até pelo nome – produtos benéficos. No entanto, os autores do artigo, Giovanni Reyes e Julián Cortés, da Universidade do Rosário, na Colômbia, lembram que o aumento do consumo desses produtos pode causar efeitos colaterais importantes. Entre eles está o impacto nos corpos d’água e a diminuição da capacidade de recuperação do meio ambiente.

A partir da análise do Anuário Estatístico da CEPAL, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, os autores avaliaram o uso de fertilizantes em 23 países da região. Dentre os países que diminuíram o consumo estão o Chile, Honduras, as Guianas, Trinidad e Tobago e, em menor medida, a Costa Rica. Entre os que mais cresceram no consumo estão Belize, Uruguai, Panamá e Bolívia.

Olhando os dados com mais atenção, no entanto, vemos a diferença extraordinária na quantidade de quilos por hectare em cada nação. Trindad e Tobago, por exemplo apresentou queda de quase 40% no uso, mas em 2012 chegou a usar quase 287 quilos por hectare, sendo o país recordista entre os analisados. Enquanto isso, no Brasil, o uso em 2012 era de cerca de 46 quilos por hectare, um aumento superior a 40% em relação a 2006.

Segundo os autores, o menor uso de fertilizantes por área nos países maiores poderia ser atribuído ao chamado modelo agrícola de fazenda latino-americana. Nessa prática há grandes extensões de cultivos mecanizados como o café, cacau e pastagens.

Tendências para os fertilizantes

Em 2015, a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, anunciou que o uso de fertilizantes deve crescer 1,8% anualmente até chegar a mais de 200 milhões de toneladas no ano que vem. Neste cenário, os países europeus deverão seguir a tendência oposta, diminuindo o consumo em 50 mil toneladas. Já a América Latina deverá crescer a um ritmo acelerado de 3,3% ao ano.

Leia o artigo completo em:

Reyes, GE & Cortés, JD. Intensidad en el uso de fertilizantes en América Latina y el Caribe (2006-2012). Bioagro, v.29, n.1, Apr. 2017.

Com a produção de Germana Barata originalmente publicada no blog Ciência em Revista, locução de Caio Lang.

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