Reator multipropósito; projeto brasileiro com investimento de peso

EDICC 2016

Já ouviu falar no Reator Multipropósito Brasileiro? É um projeto desenvolvido pela Comissão Nacional de Energia Nuclear para a construção, na cidade de Iperó, interior de São Paulo, de um gerador de feixe de nêutrons.

Um dos objetivos do projeto é tornar o País autossuficiente na geração de radiofármacos, um composto aplicado no diagnóstico e tratamento de doenças que contém elemento radioativo. O feixe de nêutrons, ao incidir sobre os compostos normais, é capaz de transformar alguns átomos em versões radioativas. Em dose certa, a radiação emitida pela molécula pode ser captada por sensores e produzir imagens do funcionamento do órgão em que ela se encontra.

Outro aplicação do reator é no estudo de materiais, como peças de aço. O feixe de nêutros funciona como uma espécie de raio-X, penetrando no interior da amostra e revelando, por exemplo, eventuais rachaduras.

Os reatores atuais são de pequena capacidade e, assim, é necessário importar boa parte dos insumos utilizados, com custos estimados em 30 milhões de reais ao ano com importação. Sua construção tem sido mencionada há nove anos, no Plano de Ação do MCTI. Orçado em R$900 milhões de reais, é um dos projetos científicos de maior porte no Brasil. É muita coisa, mas o investimento será compensado em 30 anos somente com os radiofármacos que deixarão de ser importados. A previsão inicial era para que ficasse pronto ano que vem, porém agora espera-se que seja entregue em 2022, enquanto os atuais cortes nos investimentos ameaçam adiar ainda mais sua implantação.

Matéria de Erik Nardini

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