#103 – Gaia episódio 1 – Papel ou Secador Elétrico?

É comum encontrar os secadores elétricos nos banheiros por aí, mas será que ele é melhor ambientalmente do que as toalhas de papel? Em 2019, a FGV substituiu as toalhas de papel por secadores elétricos o que fez algumas pessoas levantarem essa questão. A equipe de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV se prontificou a realizar um pequeno estudo que ajuda a responder à questão. Esse episódio contou com a participação de Juliana Picoli e Ricardo Dinato, especialistas em ACV.

Este é o primeiro episódio da série Gaia, uma produção do podcast Oxigênio, do Labjor/Unicamp. A produção é feita por Oscar Freitas Neto. O projeto conta com a orientação de Simone Pallone.

 

Músicas:
Fast Talkin – Kevin MacLeod (YouTube Audio Library)
Desmontes – Blue Dot Sessions
Lupi – Blue Dot Sessions
Pink – Blue Dot Sessions
Fender Bender – Blue Dot Sessions
Ferus Cur – Blue Dot Sessions

 

Imagem:
RudsonVieiraC

 

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OSCAR: Eu sempre ia para o trabalho de ônibus. Trabalho no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV que fica na avenida Nove de Julho em São Paulo. E a primeira coisa que fazia quando chegava era lavar a mão para tirar aquela sensação de mão suja. E que bom sempre tive esse costume. Um dia no ano passado,

BARULHO DE PORTA E MÃOS LAVANDO

OSCAR: eu cheguei, lavei as mãos e não encontrei o papel para enxugar.

BARULHO DE SECADOR

RICARDO: O papel toalha não estava mais lá… tinham colocado ali os secadores de ar

OSCAR: Esse é o Ricardo Dinato, especialista em Avaliação de Ciclo de Vida.

RICARDO: Começou ali a discussão, porque eu acho que muitas pessoas não gostam do secador a ar, preferem as folhas de papel. E aí veio, pô, será que ele pelo menos é melhor do ponto de vista ambiental? Umas duas, três pessoas perguntaram, comentaram. A gente falou não sei, tem alguns estudos, mas cada um fala uma coisa, depende muito das premissas. A gente falou, vamos fazer, vamos ver o que dá.

OSCAR: Eles resolveram fazer um pequeno estudo usando a Avaliação de Ciclo de Vida, também conhecida como ACV

JULIANA: É uma técnica para estimar os impactos ambientais de um determinado produto ou serviço olhando para todo o ciclo de vida desse produto ou serviço

OSCAR: Essa é a Juliana Picoli. Ela fez a revisão do estudo

JULIANA: Ela considera, então, todo o ciclo de vida desde a primeira interação da natureza que esse produto teve que passar até o seu descarte no fim de vida desse produto, né?

OSCAR:  Então o estudo tem que considerar cada pequeno caminho, cada a cadeia que interage com esse produto. Pegando por exemplo o papel

MÚSICA

OSCAR: Tem que considerar

RICARDO: Desde o viveiro ali que faz as mudas

OSCAR: Na fase de plantação, a fabricação de cada insumo, cada fertilizante e defensivos agrícolas.

RICARDO:  Aplicação desses produtos.

OSCAR: Que também emitem algumas substâncias.

RICARDO: E depois que elas chegarem num tamanho adequado, ela vai ser cortada. Vai para a indústria. Onde ela vai ser processada e se transformar primeiro em celulose, depois em papel.

OSCAR: Tem ainda a embalagem, o transporte de caminhão para um centro de distribuição, para um mercado e para a FGV onde ele é usado.

RICARDO: Mas não termina o ciclo de vida dele ainda. Porque a gente joga ele no lixo e esse lixo vai ser recolhido e vai ser transportado para um aterro sanitário onde ele vai passar alguns anos se decompondo. E só quando terminar a decomposição desse papel, aí sim termina o ciclo de vida desse papel.

FIM DA MÚSICA

OSCAR: É muita coisa para considerar, né?

RICARDO: Com certeza. É por isso que a gente utiliza software, nesse software tem umas bases de dados. E para esse estudo, por exemplo, a gente trabalhou basicamente com dados secundários. A gente foi nessa base de dados com estudos que outras pessoas fizeram e foi juntando tudo isso para poder ter ali o papel. Então a gente não foi atrás do fabricante de papel para coletar esses dados.

OSCAR:  A ideia deles era fazer um estudo mais simplificado que é chamado de screening

RICARDO: Que é uma coisa que se consegue fazer rapidamente e que você pode ter um resultado interessante para apresentar. A gente queria mostrar para o pessoal que a ACV nem sempre é um estudo que leva meses e que custa milhões de dólares para ser feito.

OSCAR: Os únicos dados que eles coletaram diretamente foram quantas folhas de papel cada pessoa usa para secar as mãos e quanto tempo usam no secador

RICARDO: Era divertido porque toda vez que o pessoal ia no banheiro falava: Ah eu vou cronometrar agora, vou ver quantas folhas deu. Então é interessante isso, acho que só da pessoa parar para pensar o que você precisaria de informação para fazer as contas já é uma coisa interessante para a gente que trabalha na área. E, enfim, aí o pessoal coletou os dados, a gente fez os cálculos e chegou ali num resultado que até para gente foi surpreendente.

MÚSICA

OSCAR: Quando se considera a implementação de um projeto como esse, a questão ambiental é importante, mas não é a única a ser considerada. Vamos pegar, por exemplo, a questão financeira. As empresas têm gastos com o descarte de lixo que deve diminuir com o uso dos secadores. Tem ainda os impactos em logística e operacional. Com o papel, tem um processo cíclico de compras, precisa armazenar e a equipe de limpeza tem que estar sempre trocando por um novo rolo de papel. Ou seja, tem várias questões a considerar e isso também se aplica às nossas decisões do dia-a-dia.

RICARDO: Então quando a gente traz um resultado e o desempenho ambiental de uma opção é melhor do que a outra, não quer dizer que você tem que usar essa opção. Quer dizer que na sua opção ali esse é um aspecto que você pode levar em consideração. Eu dou exemplo. Você chega ali no supermercado, você tem que escolher entre o produto A e B, vamos supor um alimento A e B. Você vai ali levar em consideração o preço, a qualidade, se ele é gostoso ou não, se ele é saudável ou não, talvez você pense algumas questões sociais relacionadas ao produto, se ele é mais natural, se ele é muito processado e a questão ambiental é mais um característica que você pode levar em consideração.

JULIANA: E a tendência é que cada vez mais os aspectos ambientais e o desempenho ambiental de um produto ou de outro seja levado em consideração para ajudar a tomada de decisão de empresas, até do consumidor comum.

OSCAR: E, de modo, geral todo mundo quer fazer escolha mais correta.

RICARDO: O problema é que a gente não sabe qual é a decisão correta. No dia-a-dia, a gente acaba indo muito nesse conhecimento que a gente já tem que a gente supõe que é a melhor decisão. E uma das utilidades, umas das aplicações interessantes da ACV é exatamente isso. Trazer ali uma informação com maior qualidade para ajudar a gente nessas decisões.

OSCAR: A comparação de produtos com uma mesma função, como é o estudo que a gente está falando, é só uma das aplicações da ACV.

JULIANA: É a ACV ela é bastante utilizada e vem sendo cada vez mais porque ela tem várias aplicações. Ela pode ser utilizada para ecodesign. Então se eu estou desenvolvendo um novo produto e quero que ele tenha um desempenho ambiental melhor, eu faço um estudo de ACV para ver se eu vou usar um material A ou B na minha formulação desse meu produto. Além disso, ela pode ser utilizada até para políticas públicas. Já existem políticas públicas nacionais, inclusive, que utilizam a pegada de carbono, a avaliação de ciclo de vida para calcular e estimar os impactos ambientais.

RICARDO: Uma outra coisa muito interessante é o seguinte: eu tenho um fabricante de um determinado produto e ele quer conhecer o ciclo de vida do seu produto e entender onde estão os principais impactos ambientais, em qual parte da cadeia estão o que estão o que a gente chama de pontos críticos ou hot spots. Então a gente muitas vezes vê uma empresa trabalhando para reduzir determinado impacto ambiental de um produto, mas se ele não fez esse estudo, ele não sabe qual o melhor local ali de aplicar. Às vezes ele está trabalhando na embalagem do produto, mas o importante não era isso, seria um outro ponto ali para reduzir os impactos ambientais.

OSCAR: Mas, pelo menos aqui no Brasil, o consumidor ainda não tem tanto acesso a esse tipo de informação.

RICARDO: A gente depois que começa a trabalhar com isso fica um pouco paranoico porque começa a pensar em tudo que precisa para chegar naquilo e às vezes a gente tem que deixar um pouco de lado para conseguir comprar alguma coisa. Eu brinquei outro dia que minha esposa não gosta de ir ao supermercado comigo, né? Porque cada produto que eu vou escolher, eu gosto de ficar vendo rótulo, aonde que ele foi fabricado, tentar imaginar tudo isso. E, claro, não dá para levar tudo isso em consideração, mas a gente usa o que a gente chama de pensamento de ciclo de vida. Que não é um estudo propriamente dito, você não vai fazer nenhuma conta, não tem nenhum número, mas você começa a imaginar algumas coisas, supor. Eu lembro de um caso, uma vez, que eu fui comprar um enxaguante bucal. Tinha um enxaguante de 500 ml e um outro da mesma marca de 1 litro e o de 500 ml e o de 1 litro vinha dos EUA. Então eu fiquei pensando, transportas água dos EUA até o Brasil não é uma boa coisa muito inteligente. Então, esse tipo de pensamento a gente pode ter na tomada de decisão do supermercado e na época eu acabei optando pelo produto que era made in Brazil. Mas, de fato, a gente tem ali alguns segundos de decisão quando a gente vai fazer uma compra no supermercado porque tem sempre um monte de coisa para comprar. E é muito difícil de pensar nisso tudo em tão pouco tempo.

MÚSICA

OSCAR: Em um estudo de ciclo de vida são avaliadas 18 categorias de impactos.

JULIANA: A gente considera, por exemplo, mudanças climáticas que é o que o pessoal chama de pegada de carbono, considera o consumo de água que é a pegada hídrica, tem toxicidade que causa danos tanto na saúde humana quanto no ecossistema, acidificação terrestre que a famosa chuva ácida, tem a depleção da camada de ozônio que é outra categoria estudada, o uso do solo, uso da terra, ou seja, ela considera quanto de terra ela precisa no ciclo de vida inteiro para determinado produto.

RICARDO: Tem o que o pessoal chama de poluentes locais, que é tanto emissão de material particulado, quanto formação de ozônio em baixas altitudes, que é aquela poluição que provoca danos à saúde, ao sistema cardiorrespiratório.

OSCAR: Voltando ao estudo. Quando analisado o ciclo de vida do papel e do secador, eles perceberam que duas etapas eram as principais.

RICARDO: No caso do papel, o principal é realmente a quantidade de papel. A gente considerou transporte do papel até a quilha, depois o transporte até o aterro, a fabricação do suporte onde fica o papel, mas a gente percebeu de fato o principal o processo de fabricação do papel que ele era o responsável por praticamente todos os impactos ambientais. No caso do secador elétrico, a gente também considerou transporte, considerou a fabricação do secador elétrico, um transporte desse secador para uma possível reciclagem, depois que ele não estiver mais funcionando. Mas, sem dúvida, o principal era a energia elétrica durante o tempo que a pessoa estava secando as mãos. Então dos dois lados, de um é basicamente quantas folhas a pessoa usa e, do outro, quanto tempo a pessoa demora para secar as mãos.

OSCAR: Mas e a fabricação do secador?

RICARDO: Porque de fato você tem um impacto bastante grande para fabricar o secador elétrico. A questão é que ele tem uma vida útil muito grande e cada utilização responde por apenas uma pequena fração da fabricação desse secador. Por isso, que a gente acaba tendo um impacto pequeno para a fabricação dele.

OSCAR: E daí a importância de estender a vida útil dos produtos.

RICARDO: Uma calça jeans, por exemplo, o impacto ambiental da fabricação da calça jeans pode ser grande. Se você utilizar a calça jeans 100 vezes antes de jogar fora, você vai ter esse impacto ambiental dividido por 100. Se for uma roupa que você vai utilizar apenas 10 vezes, você dividir o impacto ambiental por 10. Então, para todos os produtos isso é bastante válido. De modo geral, conforme você aumenta a vida útil do produto, você divide esses impactos por uma quantidade maior de utilização e acaba reduzindo o impacto por utilização.

OSCAR: No caso desse estudo a quantidade de folha que as pessoas usavam não variava muito, ficava entre 2 ou 3.

RICARDO: Agora no caso do secador variou bastante, desde pessoas que colocaram 5 segundos até gente que colocou mais de um minuto para secar as mãos. Então é interessante que depende muito como a pessoa tá fazendo a sua análise. Talvez a questão do secador elétrico é que, para você sair com a mão totalmente seca, você precisa ali de um tempo razoável. Totalmente seca mesmo, mais de 20 segundos para secar as mãos. Mas na prática as pessoas não têm paciência de esperar, então, o que a gente percebe é que as pessoas acabam saindo com a mão um pouco úmida e utilizando um tempo menor. É interessante porque, por um lado o secador elétrico não cumpre totalmente sua função que seria secar as mãos. A pessoa acaba terminando o serviço na calça jeans. Mas, por outro lado, ele acaba tendo um desempenho ambiental melhor ainda porque, como a pessoa não tem paciência, ela usa menos e impacto ambiental também diminui.

OSCAR: Quer dizer que tem de considerar a calça na ACV também?

RICARDO: É, vai molhar um pouco a calça ali, né? Mas não saberia como considerar.

OSCAR: Bom, mas e o resultado?

RICARDO: O desempenho ambiental do secador elétrico foi bem superior, ou seja, ele apresentou impacto ambiental bem menor.

MÚSICA 

RICARDO: Mas o pessoal não gostou muito do resultado. Porque existe uma certa resistência com o secador elétrico que de modo geral as pessoas não gostam muito e tinha bastante gente que queria conferir os resultados, refazer os cálculos.

OSCAR: Mas não tinha muito que fazer não. O secador ganhou de lavada.

JULIANA: Foram em várias categorias. Então a gente consegue dizer que é um estudo conclusivo, consegue afirmar que o secador elétrico foi superior.

RICARDO: Das 18 categorias analisadas, em 17 ele ganhou e, em uma, foi um empate técnico.

OSCAR: O que geralmente não é esperado nesse tipo de estudo.

RICARDO: Eu não esperava que o resultado fosse tão forte para um lado nem para outro. Eu esperava que o resultado que parecesse aquilo que a gente chama de trade off. Trade off é quando uma alternativa vence em algumas categorias de impacto ambiental e perde em outras e você tem que avançar no estudo para decidir afinal qual das duas é melhor.

OSCAR: Mesmo sendo um estudo bem simplificado, um dos lados ter ganhado de lavada dá uma credibilidade bem maior.

RICARDO: Porque ainda que você modifique algumas informações, alguns dados, dificilmente a outra opção vai virar completamente o jogo. Talvez esse resultado não seja tão de lavada assim. Talvez se a gente buscar dados primários talvez esse estudo possa talvez chegar mais próximo de um empate por conta dos trade offs. Mas eu acho muito difícil que o resultado totalmente invertido.

OSCAR: Mas a gente tem que lembrar que não dá para bater o martelo definitivamente.

RICARDO: O secador elétrico possui um desempenho melhor dentro de todas as limitações, premissas e suposições do nosso estudo. Isso é válido especificamente para esse cenário que foi desenhado. Então se esse mesmo estudo for feito em outro país, por exemplo, o resultado pode ser totalmente diferente.

JULIANA: Em estudos de ACV, principalmente esse estudo que a gente chama de screening, existem muitas incertezas associadas ao resultado final. Mas é um estudo que, por um lado, tem todas essas incertezas, mas, por outro, ele te dá um resultado mais rápido, é um estudo mais simples onde eu preciso coletar menos dados e é utilizado para a gente ter uma ideia inicial de como vai ser o resultado, que dados eu preciso utilizar para depois, caso seja uma decisão que não seja essa do dia-a-dia, que vá causar grandes implicações, se for numa empresa, por exemplo, que ela vai decidir de qual fornecedor ela vai comprar. Aí ela teria que fazer estudos mais complexos, coletando dados primários e aí sim diminuir as incertezas da ACV.

RICARDO: E outra questão também é o seguinte quando a gente faz um estudo comparativo sempre alguém vai ganhar e alguém vai perder. E quem perde sempre fica bravo. Aí para esse tipo de situação é importante fazer um estudo realmente mais completo.

MÚSICA

RICARDO: A Europa já dá sinais bem claros que eles vão começar a demandar esse tipo de informação de todos os produtos importados pelo bloco econômico ali, pela União Europeia. Já tem sinais bem claros que se o Brasil ou qualquer outro país quiser continuar exportando seus produtos para a União Europeia, vai precisar no mínimo ter um estudo sobre os impactos ambientais. Por enquanto, não se fala muito de algum limite de que o produto tenha que seguir algum determinado padrão de emissões ou de impactos. Mas ao menos o relatório, o estudo cada vez é mais comum e a Europa é possível que torne isso obrigatório.

JULIANA: A ACV caminha, em alguns casos, ela caminha para a certificação mesmo. Para eu conseguir um selo lá e diferenciar meu produto dos demais. Tanto certificação entre empresas que a gente fala que é B2B. Ou também B2C que seria chegando no consumidor final.

RICARDO: E se a gente olhar em outros países, né? Essa questão de certificações ou rotulagens, elas são mais bem comuns também no consumidor final. Então, EUA, Europa, Japão é comum chegar no supermercado e encontrar ali a pegada de carbono ou a pegada hídrica de alguns produtos.

OSCAR: No Brasil, ainda não é comum, mas pode ser que mude num futuro próximo.

RICARDO: Mas eu lembro da minha avó sempre falava: Ah, quando era pequena não tinha nada disso de validade, isso é tudo besteira. E hoje a gente não acha besteira, né? Eu não compro um produto se ele tiver vencido. E a gente acredita que, em médio prazo, esse tipo de coisa também vai acontecer com os impactos ambientais. Muita gente hoje acha que é besteira, mas com certeza algumas coisas vão mudar e em médio prazo.

MÚSICA

OSCAR: Esse foi o primeiro episódio da série Gaia, um podcast sobre os desafios do desenvolvimento sustentável e da mudança do clima. A série é uma produção do Oxigênio, do Labjor/Unicamp. A produção e edição é feita por mim, Oscar Freitas Neto.

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